29 de março de 2011

Entrevista com Gillian na Radio Times

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A nova edição da revista Radio Times (2-8 de abril) traz uma matéria com Gillian Anderson. Nela, a atriz comenta que às vezes ficou frustrada com os papéis que lhe são oferecidos nos EUA e que encontra melhores oportunidades na Grã- Bretanha.

Gillian Anderson chega em sua casa em West London, alegre, profissional e, ouso dizer, encantadora, relaxada. Agora com, 42 anos, ela tem estado em terapia desde que tinha 14 anos, "Mas todo o mundo fala sobre isso, então não vamos falar", e ela concorda que é obcecada por controle. "Mas eu estou melhorando, estou deixando a vida se desenrolar, e praticando a espontaneidade. Eu poderia facilmente subir em um avião esta tarde e ir a algum lugar. Já não me preocupo com o futuro, apesar de ter tido um momento no ano passado em que acordei e percebi pela primeira vez que eu estava ficando velha. Sinto que qualquer coisa que aconteça, boa ou má, eu saberei conduzir”.

Isso não foi fácil quando, em 1993, ela foi escolhida como agente Dana Scully em Arquivo X, série de ficção cientifica sobre ‘serial killers’ comedores de fígado, vampiros e alienígenas, que para sua surpresa, tornou-se um sucesso mundial há nove anos. "O sucesso é uma bênção e uma maldição. Eu tinha 24 anos quando começou e nem sequer conseguia sair da minha porta sem ser fotografada. Pela graça de Deus eu não tenho essa experiência atualmente, mas sinceramente não sei como as celebridades se sentam e confiam o suficiente para manter uma entrevista civilizada. Muitas vezes eu pensei, "Que pessoa encantadora" e então eles escrevem algo desagradável. É preciso ter cuidado com o que sai de sua boca. Então, costumo ser chata e não expressar nada sobre mim que possa ser mal interpretado. Insisto que eu nunca vou fazer nada disso numa entrevista. E então, eu faço. Desculpe, lá vou eu pela tangente".

Não se preocupe, eu digo. Ela ri, mas é ingênua o suficiente para falar sobre assuntos entediantes como ‘o trabalho’. "É estranho", Ela admite. "Você foca forte em um trabalho. Torna-se sagrado e então você tem que explicá-lo em três dias de publicidade absurda. Você precisa de um senso de humor. Qualquer coisa que disser pode ser visto como pretensioso".

Vamos falar de algo fácil, então, sobre The Crimson Petal and The White, uma dramatização de quatro partes, elogiada pela crítica literária em 2002 - 864 páginas de Michel Faber, que se passa em 1870 em Londres, e explora o obscuro mundo da sexualidade vitoriana. É um thriller psicológico em que Anderson interpreta a dona do bordel, Mrs. Castaway, a madame de Sugar [interpretada por Romola Garai], uma jovem e esperta prostituta que tem um relacionamento com um rico homem de negócios (Chris O'Dowd) e entra na sociedade londrina.

“Aprendi muito com o romance. Tinha uma idéia visual muito forte de como Mrs. Castaway deveria parecer e me diverti muito construindo suas características em um nível físico”.

"Eu quero que a minha carreira seja mais interessante. Estou um pouco presa em uma caixa de papelão, e luto muito para sair. As vezes me sinto frustrada e pensei em jogar a toalha. Todas as coisas interessantes que me ofereceram vem da Grã-Bretanha. Há uma compreensão mais ampla da minha capacidade. Eles não sabem o que fazer comigo nos EUA. Eles nem por um segundo imaginariam que eu pudesse interpretar Wallis Simpson [como ela fez em Any Human Heart, no Channel 4] ou Mrs. Castaway".

"Eu provavelmente seria mais ambiciosa se eu morasse em Los Angeles, mas esse realmente não é o meu lugar. Eu pensei em fazer outra série de TV, algo com humor negro. Eu posso ser boa em comédia. Eu fiz Boogie Woogie [uma comédia de 2009 sobre o mundo da arte de Londres], que não viu muito a luz do dia, e eu fiz Johnny English Reborn [será lançado ainda este ano], porque eu queria trabalhar com Rowan Atkinson".

Ela nasceu em Chicago, mas desde a idade de dois a onze anos viveu em Crouch End, Norte de Londres, enquanto seu pai estudava na London Film School e sua mãe trabalhava como analista de sistemas para o Lloyds Bank. Quando eles voltaram para os Estados Unidos, para Grand Rapids Michigan, tiveram mais dois filhos. "Eu estava extremamente ciumenta. Precisava me expressar". Então, aos 14 anos, colocou um piercing no nariz e um namorado punk em sua cama, e tingiu o cabelo de vermelho. "Eu era muito agitada, promíscua, bebia muito. Tive a sorte de sair desse outro lado".

Sua ambição original era ser uma bióloga marinha, mas decidiu estudar teatro em Chicago antes de ir para Nova York para trabalhar na off-Broadway, onde ganhou o prêmio de melhor atriz por Absent Friends de Alan Ayckbourn. Foi-lhe oferecido o papel de Scully em Arquivo X, criado por Chris Carter, contra a vontade da rede que queria uma loira de seios grandes. "Essa era a única maneira que eles sabiam de fazer televisão, mas eu não sou boba, então eu disse é pegar ou largar. Ninguém esperava que Arquivo X se tornasse popular".

Quando nos encontramos pela primeira vez há 15 anos, ela tinha acabado de ser votada como 'A mulher mais sexy do mundo' pela revista FHM. "Eu fiquei perplexa", ela ri. "Eu estava interpretando uma personagem que eu achava que era deselegante. Então eu fiquei grávida [de Clyde Klotz, pai de sua filha Piper, agora com 16 anos] portanto estava gorda também. Mais tarde conseguimos um novo estilista, que insistia, 'Querida, nós temos que mudar o seu cabelo' . Ela o tornou mais contemporâneo e tirou o poliéster rosa. Não me ocorreu na época, mas marcou o show e adicionou um estranho culto”.

Então, ela se tornou um alerta para as aspirantes a atriz. "FHM, uma revista que eu nunca tinha ouvido falar, tiraram fotos: fizemos com a roupa de borracha. O fotógrafo tinha lotes de fotografias de grandes nomes do jazz para um livro que ele estava fazendo e eu pensei que ele era um verdadeiro artista. Ele me pediu para posar em uma cama e como eu era jovem, eu fiz. Não pensei que teria algum impacto. Eu ainda sou muito ingênua. Vou deixar o cinismo para você".

Obviamente, ela é romântica. Depois que seu primeiro casamento acabou ela se casou com o jornalista Julian Ozanne, em 2004. Eles se divorciaram dois anos depois e logo ela estava grávida de um homem de negócios, Mark Griffiths, com quem agora tem dois filhos. "Eu sou o denominador comum de dois divórcios. Meu relacionamento atual parece ter a forma que deveria ter. Parte de mim se preocupa que se nos casarmos um interruptor será ligado dentro de mim e vai dizer, 'Ah, eu estou presa. Eu tenho que sair'".

Depois de Arquivo X ela diz que era um pouco esnobe sobre a televisão e queria muito voltar ao teatro, que é uma das razões pelas quais ela atualmente vive em Londres. "Não assisto muita televisão. Gravo alguns programas e os empilho numa maleta de DVDs que levo onde quer que eu vá. Isso é triste, mas eu só os assisto quando eu decido que está OK - poderia ser daqui a três anos. Constantemente penso em fazer mais teatro, especialmente quando eu vejo uma boa peça. Tenho algumas idéias, mas eu gosto de esperar dois anos entre cada peça porque isso é tudo que eu posso lidar. Eu tenho que estacionar meu medo. Acho absolutamente aterrorizante, tenho ataques de pânico, e me pergunto ‘por que diabos estou fazendo isso?’. O pânico paira sobre meu ombro".

Então, por que sofrer? "Porque não há nada como isso. Posso andar no palco e me sinto tão emocional que começo a chorar. Eu não sei por quê. Não é ego. Ego é esmagado o tempo todo. Mas eu nunca me preocupei com o que as pessoas pensam de mim”.
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Fonte:ohnotheydidnt
Fotos: radiotimes.com

Scans:l0islane
Tradução: Paulo F.

4 Comentários:

  1. Os ingleses sabem aproveitar o talento dos atores. Não é a toa que eles dominam as indicações do Oscar e de outros prêmios internacionais importantes. Eles são muito fiéis a base teatral dos atores e, em terra de Shakespeare, Orson Wells, Laurence Olivier, Vanessa Regrave, Magie Smith, Helen Mürren, Oscar Wilde... Você não pode sair de casa e simplesmente decidir ser ator, como é aqui no Brasil ou nos Estados Unidos, onde um ator pode ser tão fabricado quanto um craque de futebol. No Reino Unido quando se sai de casa para ser ator, Você tem que ter talento. E isso a Inglaterra consegue ver na Gillian. Mas, nos Estados Unidos, infelizmente, só conseguem ver a atriz que interpretou a Agente Federal Dana Scully. Eles acham que ela não consegue ir além disso!! Coitados!!

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  2. Gillian é uma atriz maravilhosa, que não precisa se preocupar em provar isso todo o tempo.

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  3. Maravilhosa como sempre!!!!!!1

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  4. A Gillian é uma atriz talentosa e linda, espero que ela tenha realmente muitas oportunidades, em grandes filmes.

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